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Você sabe como a nossa história começou?

Recortar letras desenhadas em papelão, feitas pelas mãos da minha avó por tardes sem fim, admirar boquiaberta aquelas propagandas dos anos 90 – bons tempos! – e ser apaixonada desde sempre por tudo relacionado a esse universo maluco e incrível da publicidade influenciou diretamente no nascimento da Eureka! Uma certeza eu tinha: a minha vida seria colorida.

Feche os olhos e imagine o ritmo frenético do nosso dia a dia. Criação maluca com a pauta recheada, atendimento em contato com nossos clientes recebendo informações sobre os mais variados mercados, time de web antenado com as últimas atualizações, social planejando tudo que iremos divulgar durante a semana em cada rede social inventada por aí, redação pensando em palavras que encantem, mas também gerem resultados, e a revisão vendo se isso tudo faz sentido.

É, hoje somos um time e tanto. Porém, lááá em 2007 – quando estávamos no quarto da nossa casa, com o único computador que eu tinha, ainda pensando no nome que daríamos para a empresa, e nosso filho de 5 anos disse “mãe, por que você não coloca Eureka, já que você cria um monte de coisas?” –, era apenas uma EUgência.

Assim que prestei vestibular, engravidei e não pude cursar a faculdade. Fui mãe muito nova e tive que aprender a correr atrás do que eu queria, do meu jeito. Estudei sozinha e depois trabalhei em uma agência de publicidade de um grande amigo, por alguns meses, sem receber um centavo, apenas para aprender. Lembro que, sentadinha ao lado dele, enquanto criava algumas marcas, eu admirava a agilidade que ele tinha com as mãos nos atalhos do teclado, a forma como manipulava as ferramentas no Corel, e o resultado quando terminava. Eu ficava besta! Pensava comigo mesma: “Será que um dia vou conseguir ser assim?”

Quando saí de lá, trabalhei em casa por anos, como muitos designers fazem. Era designer, redatora, atendimento, social media, financeiro e o que mais precisasse ser, para que a Eureka evoluísse. Durante o dia, eu tocava sozinha tudo que não era web. À noite, o Andre – meu marido – chegava e fazíamos o segundo turno, aí sim, focado em web. Nessa época, ele trabalhava em outra empresa e me ajudava apenas nesse momento.

Fomos ganhando espaço no mercado curitibano, empresas indicavam para outras, e assim crescíamos. Conquistamos grandes contas e a demanda foi aumentando cada vez mais. Demandas que muitas vezes nunca tínhamos executado. Mas isso nunca foi problema. Estudávamos, aprendíamos e entregávamos.

Conquistar novos clientes e desbravar esse mercado tão competitivo não foi fácil, mas nunca me pareceu impossível. Não é segredo para ninguém que o mundo é extremamente machista e nós, mulheres, temos que aprender a lidar com isso se quisermos conquistar espaço. Como disse, não foi fácil, mas em todas as situações difíceis eu ergui a cabeça e soube que, para chegar onde estou hoje, dependeria de capacidade, estudo e aperfeiçoamento e nunca pensaria que não seria capaz por ser mulher.

O mercado publicitário é uma grande bolha, glamourosa para quem vê de fora e sufocante para quem está dentro, se não souber admirar a sua beleza.

Para mim, sempre esteve muito claro que o sucesso de uma agência não estava atrelado a pizzas até de madrugada e geladeira cheia de cerveja para funcionários que completassem o timesheet. Para mim, sucesso é entregar marcas criadas por nós e ver o sorriso no rosto dos clientes, pois acertamos em cheio. É fechar o mês comemorando junto com eles a meta alcançada. É saber que a nossa equipe se orgulha por trabalhar em uma empresa correta e que trabalha para que todos cresçam.

Minha jornada nesse mercado ainda não acabou, mas me orgulho do que conquistei até aqui. Empreender no Brasil não é fácil. Mulher empreendedora no Brasil, não preciso nem falar, né? Mas quem faz a tua jornada é você. Não se vitimize. Não use o fato de ser mulher como desculpa para as dificuldades. Somos mais fortes do que imaginamos.

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